Avassaladora
Gonzaguinha
Avassaladora
senta no seu colo
lambe o pescoço
morde a orelha
enfia a língua
por entre seus dentes
tomando toda a sua boca
Ela é louca !
Muito louca e ele adora sua mão
apertando o que deseja
com calor e com carinho
ensinando o caminho
da loucura
e acabando com
seu medo de não poder
E o macho se solta
se larga, se acaba na
mão da rainha
com todo prazer.
E o macho desmonta
no grito de gozo
na mão da rainha
e desmaia
domingo, 8 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Tantas minúcias impregnadas nas paredes branco-gelo que alvejam o amargor dos meus desafetos. Denúncias, súplicas, perdões e lamúrias. Olhos mansos, cansaços, impérios ruindo. Meu amor próprio esparramado entre lençóis sujos exalando esse odor de amor putrefado. Covardias, falso altruísmo, paixões inertes, fugas inúteis. Eu anseio, eu desejo, quero e ambiciono tudo que vibra.
Ter tudo que pulsa, esse é meu horizante, meu caminho. Abraçar a solidão que preenche os espaços perpétuos e ocos entre você (ser que redescubro) e eu (ser que desconheço).
Não me conformo, mas assumo, sem maiores cenas e com total ausência de platéias ou aplausos, que esse desespero árido e sedento é meu único destino imutável. O destino que tracei rasgando as linhas da palma das minhas mãos e regando à sangue e fervor o que resta de esperança.
Ter tudo que pulsa, esse é meu horizante, meu caminho. Abraçar a solidão que preenche os espaços perpétuos e ocos entre você (ser que redescubro) e eu (ser que desconheço).
Não me conformo, mas assumo, sem maiores cenas e com total ausência de platéias ou aplausos, que esse desespero árido e sedento é meu único destino imutável. O destino que tracei rasgando as linhas da palma das minhas mãos e regando à sangue e fervor o que resta de esperança.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Entre as lacunas dos sonhos também há vida que pulsa em desordem. Embalo melodias e borrifo palavras sutis à meia voz. Abro gavetas, inspiro ares empoeirados, recordo, morro e ressuscito. Mais do que pelas cores, sempre me apaixono pelos borrões e por cada um dos seus defeitos, cada uma das suas minúsculas falhas, pelo seu inverossímil realismo inofensivo.Cito poetas mortos enquanto vivo trocando os passos em calçadas úmidas nas madrugadas turvas. Raios e trovões que me acompanhem porque a mim bastam minhas próprias tempestades.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Cuidadosamente retirou a poeira das mágoas retidas em seu amontoado de lembranças não-perecíveis. Permaneceu ali, encarando seu vulto fosco refletido no espelho da penteadeira antiqüíssima. Naquele momento sua mudez era seu manifesto maior. Seu silêncio ecoava na mais imaculada dor, a dor do luto. Sophia não saberia dizer quando seu luto havia começado, desconhecia há quanto tempo havia se dado a morte. A sua própria morte.Quando os sonhos morrem, somos esquartejados em vida e o sangue brevemente coagulado das ilusões inúteis encharca o solo fértil do porvir.
Sophia estava em carne viva, sabia que naquele instante o adeus seria seu único álibi, seu suspiro derradeiro. Como um ponto final num livro de 600 páginas. Ela renasceria num mosaico de tons vibrantes. Suas palavras ecoam num vasto salão emudecido, num altar sem preces, num enterro sem lágrimas. Questionava se seu silêncio pálido e a incoerência de seus raros gestos bruscos não seriam o substrato do que há de mais sensato em si. Para. Há borboletas. Borboletas verdes, verde-esperança, ainda vagueiam desnorteadas, colorindo a paisagem cinza-chumbo de mais um dia nublado em que suas lágrimas iníteis nutrem o sólido infértil onde tantos sonhos se decompõem. Pousa, pousa em ser dedo. Morrerá. Morreremos todos nós. Todos os nós. Desata. Rompe correntes.
Chora e forja sua auto-alforria.Toda liberdade é vã.
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